“A todos os jovens alunos que foram forçados a ler minhas primeiras memórias póstumas, dedico estas memórias como forma de retribuição”
É com esta dedicatória peculiar que o autor inicia a introdução desta paródia do clássico machadiano. A cada capítulo os personagens mais famosos de Machado de Assis vão tendo suas vidas apropriadas e entrelaçadas a pós-morte de Brás Cubas, de maneira bem humorada, compondo uma narrativa pop e atual. A prosa de Machado é bem rememorada e homenageada neste livro, fazendo mérito ao humor que impera em Memórias póstumas de Brás Cubas, onde o protagonista cita logo ao início, sua mais famosa dedicatória: “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas”.
Memórias desmortas de Brás Cubas é uma “continuação” das Memórias póstumas, onde o defunto autor narra os fatos após sua morte, quando escapou de seu caixão, espalhando o caos pelo Rio de Janeiro.
Com uma apresentação fantástica, o autor traz a luz personagens vistos em novelas e contos de Machado, tais como Memórias póstumas, Quincas Borba, O alienista e A cartomante, entre outros, que são devidamente devorados por um obstinado Brás Cubas, na busca da verdade sobre a sua “zumbificação” e sobre o destino de seu famoso emplasto anti-hipocondria.
Uma obra para despertar o interesse das novas gerações pelas obras canônicas, e também trazê-las para uma linguagem atual. E, assim sendo, não há nada melhor do que uma boa dose de carnificina zumbi para colocar os clássicos em seu devido lugar!
Trecho:
– Caro amigo, devo lhe informar que eu devorei o seu cérebro. Sinto dizer, mas foi coisa do momento. Instinto, talvez. Aliás, você não devia ter me acordado daquele jeito. Por quê...? Prudêncio fez esforço para articular a palavra, mas depois de algumas tentativas eu entendi: ele tentava dizer emplasto. Tive quase certeza. Mas poderia muito bem ser Jamaica. Depois de mortos, eles precisam de algumas sessões no fonoaudiólogo, fica meio difícil de compreender o que querem expressar. Mas era emplasto, decerto. Foi quando tudo se encaixou. Ele estava atrás do meu emplasto. Da minha glória, o meu legado, a minha essência. Culpa minha ter mencionado a minha criação em frente àquela corja de interesseiros aglomerada junto ao meu leito. Passei-lhe um belo sermão, e Prudêncio, envergonhado, permaneceu o tempo todo cabisbaixo, choramingando. Ao fim, claramente arrependido, perguntou-me: – Miiiioooolos? – Decerto, velho amigo. Decerto.
Sobre o autor:
Pedro Vieira nasceu no Rio de Janeiro, estuda Letras Inglês/Literaturas na UERJ e é tradutor de inglês e espanhol com interesse especial em literatura – embora a maior parte do tempo se torture traduzindo jurisdiquês e afins. Em 2008, publicou Nerdquest, o seu primeiro romance, e em 2010, foi co-autor do livro Cyberpunk – Histórias de Um Futuro Extraordinário. Pedro nutre uma estranha obsessão por cães da raça yorkshire e a cronologia ininteligível da Marvel. Sempre que as conjunções dos astros permitem, escreve no blog Nerdquest.
Editora: Tarja Autor: Pedro Vieira N.º de páginas: 144 Acabamento: Brochura Dimensões: 14 x 21 cm ISBN: 978-85-61541-22-4
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