VAMPIROS EXTREMOS: PARTE 1
A Parte 2 deste artigo já foi publicada e encontra-se AQUI
O lar do monstro costumava ser as regiões selvagens e inexploradas. Mas lentamente a humanidade explorou, conquistou e catalogou todos os cantos do mundo. O monstro, então, não teve outra opção senão viver entre nós. Civilizou-se, urbanizou-se – e no processo, lentamente nos “monstrificou” também…
Tivemos Anne Rice com seus vampiros modernos e a encarnação disso no mundo do RPG com VAMPIRO: A Máscara. Hoje quem consome a história de horror quer ser o vampiro, não matá-lo – quer seu poder, seu sex appeal; Sua vida de liberdade. Se o mundo é uma selva todo mundo quer ser o predador, não é? Ou casar com um, como prova a popular saga Crepúsculo.
Neste artigo em duas partes, a história é diferente! Van Helsings de plantão, agarrem sua antiquada maletinha de médico do interior, suas estacas, crucifixos e bestas. Agora jogue tudo isso fora e repense seu lugar no mundo: Esses vampiros vocês terão que exterminar, mas vai ser preciso criar um novo método!
QUE TAL UNS VAMPIROS QUE DÃO MEDO?
O primeiro obstáculo para um sentimento de horror é a familiaridade. E se hoje o vampiro virou namorado no imaginário de tanta gente é porque já sabemos de tudo que vai acontecer com ele assim que colocamos os olhos em um… ele ataca assim, ele teme isso, ele morre daquele jeito… Há! Lá está a pilha de cinzas. Próximo moooooonstro!
O que você verá agora é um vampiro um pouco mais imprevisível – uma criatura criada pelas cidades, tão potencialmente surpreendente quanto os habitantes mais estranhos das maiores metrópoles. O objetivo é simples: Fazer os jogadores encontrarem algo perigoso e novo que mais tarde os obrigará a considerar: Seria ISSO um “vampiro?”
Essa matéria destina-se a Mestres do Jogo (ou jogadores descaradamente trapaceiros). Pode inspirar a criação de vampiros interessantes em qualquer jogo de RPG. O monstro habita grandes cidades em cenários de horror contemporâneos, mas um mundo de fantasia medieval com uma grande concentração urbana também pode ser válido, dependendo da sua visão.
Muito bem: Como diria Jack, O Estripador quando ainda era professor: “Vamos por tópicos!”
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A ORIGEM DO MONSTRO, ou “HÁ SEMPRE UM PEIXE MAIOR”
Um vampiro é um problema sério para quem decide caçá-lo porque possui poderes capazes de ferir e matar. Esses poderes tem uma origem – e se o caçador de vampiros clássico valoriza sua biblioteca tanto quanto seu arsenal é porque nessas origens pode muito bem estar o segredo de como destruir o que é aparentemente indestrutível. Pode parecer difícil de acreditar hoje em dia, mas já houve uma época em que as pessoas não sabiam sobre o alho, a água corrente, o espelho e a estaca de madeira no coração… muitos bravos pesquisadores tiveram que morrer de maneiras horríveis para comprovar que atirar pedras no conde Ragula não dá resultado.
Pense na cidade grande. Na sua cidade. Como ela lhe assusta? Você teme a violência na forma de um assalto que acaba de um jeito muito pior do que deveria. Teme um bandido drogado que pode muito bem encher sua barriga de chumbo sem pensar duas vezes simplesmente porque ele pode. Impunidade, corrupção, caos, pânico… assim como faz o mundo Punk-Gótico do Mundo das Trevas, tente não pensar no crime de forma sensata! O objetivo é sustentar um clima de horror, então seja paranóico. Acredite por um momento que o mundo é exatamente como aquele que os telejornais policiais tentam vender – crime, violência e morte o tempo todo, em cada esquina, uma sirene de polícia como som de fundo para cada telefonema que implora por ajuda. Ninguém nunca enfrenta a morte sozinho na grande cidade. Ninguém jamais caminha sem companhia em direção ao abatedouro…
O monstro original é a própria natureza. Tememos o vampiro porque ele subverte a ordem natural das coisas – além do homem ter ele próprio como predador, se vampiros existem há um novo predador na cadeia alimentar, acima de todos nós. Para fins desse artigo, vamos assumir que a natureza é uma força consciente, e que ela tem planos para nós. Então se na selva a ordem natural das coisas é ter o animal mais forte devorando o mais fraco, a natureza quer que isso se mantenha nas cidades… ou quer que isso acabe para sempre. Você decide. Nós aceitamos que é “assim mesmo”. Vivemos com medo dos predadores urbanos e não sonhamos mais com uma saída, com heróis, com soluções. Aceitamos colocar grades em nossas janelas enquanto os lobos andam livres…
Mas a natureza odeia a estagnação. Quer mudança. Quer evolução. Revolução. Se estivermos sem sorte… Como provaram nossos antepassados homo sapiens quando massacraram os homens de neanderthal, as vezes uma evolução pede por uma extinção.
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NÃO VAMOS RESOLVER ISSO COM ESTACAS…
Por entre cortinas entreabertas, de trás de um carro estacionado, do outro lado da rua… você vê: Uma vítima, um criminoso. Um predador e uma presa. Talvez trate-se de um assassinato puro e simples, talvez um estupro, talvez algo pior… e tudo acaba do pior jeito possível. Porque você não fez nada. Porque ninguém fez nada. Mas eis que a natureza decide que as vítimas de crimes fatais com testemunhas passivas serão os primeiros de uma nova espécie feita para nos caçar.
Vampiros! Um vampiro para cada clamor por ajuda que não obteve resposta, para cada persiana fechada para ocultar o fim de outro ser humano, para cada vez que alguém capaz apertou o passo e disse: “Isso não é problema meu”…
Voltamos então à máxima sobre as origens do monstro e como seu conhecimento pode ajudá-lo a vencer… e se o monstro é isso, como triunfar? Não é só uma criatura monstruosa, é uma situação monstruosa. Dessa vez o problema é mais complicado do que algumas mortes resultando em defuntos deixados sem sangue. O problema dessa vez é a própria natureza. Uma força que não podemos controlar escancara sua boca e ostenta suas presas contra o mundo.
Semana passada sua namorada o deixou para namorar um vampiro, mas hoje… hoje vampiros existem e o mundo está todo indo para o inferno!
Na parte 2 deste artigo você encontrará os monstros cara a cara. CLIQUE AQUI E LEIA JÁ!
– Texto e ilustrações: RF Victor
















Excelente! Com essa nova onda de vampiros adolescentes compreensivos, é exatamente isto que os fãs do World of Drakness (não me refiro ao sistema de regras!), precisam!
Quando comecei a jogar, todas as campanhas de vampiros e lobisomens eram mais políticas e aventureiras. O horror ficava renegada a um canto, só para manter as aparências. É disso que jogos de horror precisam, mais dos velhos e sombrios tempos!
Obrigado, Francisco! Que bom que curtiu!
Dividimos a mesma opinião sobre o rumo que os jogos de horror deveriam tomar… aguarde, além da parte 2, mais “monstros extremos”! Creio que a versão hardcore dos lobisomens deve agradá-lo também.
Grande abraço!
Ja quero ler a seguda parte e as proximas que virão!
Já está a caminho, Arquimago! : D
Como eu gostaria de ver um filme com a marca da White Wolf para apagar de uma vez por todas essas modinhas sem graça e originalidade de filmes como “Crepúsculo” e “Anjos da noite” ou essas séries como “Vampire diaries” e “True blood”
é bom ver um blog que valoriza o que é bom no mundo do entretenimento!! parabéns velhinhoo
Valeu, Matheus!
Você valoriza o que é bom também, hein, com seu avatar de Fallout 3! \o/
Estou finalizando a parte 2 da matéria e publicarei em breve! Talvez crie um PDF com uma versão sem cortes depois, pois está ficando bem grande, hehehehhe
Abraço!